Bem Vindo!                                 Erasmo Nascimento       

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CACAU EM RONDÔNIA
No estado de Rondônia está o maior programa da CEPLAC na Amazônia. Nele, numa faixa ao longo da Rodovia BR-364 (Cuiabá/Porto Velho), ela assiste a um contingente de 5.793 agricultores em 40 municípios, com uma área total cultivada de 42.480 hectares, e uma produção que chega perto das 20 mil toneladas de cacau.

A área plantada, está concentrada em 17 municípios, com uma expressão de 93%. Os novos municípios plantadores de cacau estão com uma expressiva área de 8.165 hectares de cacauais em desenvolvimento. A ampliação da área de cacau, assim como a recuperação de cacauais, elevarão nos próximos anos a produção de cacau de Rondônia para as 35 mil toneladas de cacau.

A identificação de solos aptos para o cultivo do cacau, o clima adequado e o interesse demonstrado pelos colonos em relação à nova atividade agrícola, motivaram a implantação da cacauicultura em Rondônia. Foram prospectados quase 1,9 milhão de hectares com um aproveitamento de 811 mil hectares, ou seja, 42,7% de solos bons para o cultivo do cacau.

Apoiada pelo Incra, inicialmente no Projeto Integrado de Colonização Ouro Preto, a CEPLAC ampliou sua ação para os municípios de Ariquemes, Jaru, Cacoal e Ji-Paraná. Hoje a sua ação está localizada em doze Escritórios Locais, centrados em importantes áreas cacaueiras dos municípios de Buritis, Cacaulândia, Campo Novo de Rondônia, Theobroma, Machadinho D'Oeste, e Colorado.

A previsão de plantio de cacau em Rondônia, no Procacau, era de 100 mil hectares, que não foi alcançada face a retração da oferta de crédito, pela queda do preços internacionais do produto, e pela incidência da vassoura-de-bruxa. Um importante Ministro da Fazenda disse à época: "...quem plantou plantou, quem não plantou plantasse".

Até 1982, dos 39 mil hectares de cacauais plantados, 19 mil hectares, ou seja 48%, estavam em mãos dos 1.654 colonos dos Projetos do Incra, com lotes individuais de 100 hectares, de Ouro Preto, Jaru, Cacoal e Ariquemes. Isto indicava uma forte e oportuna redistribuição de renda.

Os agricultores do Projeto de Assentamento Dirigido Burareiro, em Ariquemes, que detinham lotes de 250 hectares, haviam plantado até 1982, 12 mil hectares, com 32% da área cacaueira, em mãos da classe média do cacau; a área média plantada neste estrato era de 25 hectares/família.

O empresariado, da Licitação da Gleba Burareiro, com lotes individuais de 500 hectares, estava representado por 146 proprietários que haviam plantado, até 1982, 8 mil hectares, com uma área média de 55 hectares. A agricultura da Gleba Burareiro detinha, em 1982, 20% da área de cacau.

Há uma relação estreita entre os níveis de incidência da vassoura-de-bruxa e a idade dos cacaueiros (à medida que cresce o maciço cacaueiro, com a conseqüente presença de maior quantitativo de áreas mais velhas, aumenta a possibilidade de infecção nas plantações jovens).

Vários outros fatores contribuíram para tornar epidêmica a vassoura-de-bruxa em Rondônia: a maior presença de cacauais nativos na floresta; a reduzida capacidade de atendimento da equipe de assistência técnica; a inexistência de um custeio diferenciado para o contrôle da doença; a evasão de mão-de-obra atraída pela atividade da mineração da extração da cassiterita no garimpo do "Bom Futuro", em Ariquemes, e do ouro no rio Madeira; e as atividades de asfaltamento da BR-364 e construção da Hidrelétrica de Samuel.

Para sustar o crescimento exponencial de forma rápida e incontrolada da doença, o Chefe da unidade da Ceplac, em Belém, da época, criou, e aprovou, no período 1982 a 1985, o "Plano de Ação para Contrôle da Vassoura-de-Bruxa em Rondônia", campanha vulgarmente conhecida como "Podão Nela". Tal trabalho pôs em relevo a vitalidade dos produtores, a criatividade dos extensionistas, e a presença dos agentes financeiros.

Desgraçadamente, com o desmonte da CEPLAC, a qualidade da assistência técnica prestada aos produtores decaiu, deixando ela de "mostrar a sua cara" nas linhas, nos travessões; viu-se quase totalmente imobilizada nas suas ações de atendimento aos produtores e não contou com o apoio do governo estadual e de suas co-irmãs.

Dessa forma o nível de investimento na condução de suas lavouras reduziu-se drásticamente. Diminuiu a produtividade dos cacauais, aumentaram os ataques das pragas e a incidência da vassoura-de-bruxa. As lavouras passaram a um estado de semi-abandono, ocorrendo até mesmo a erradicação de algumas áreas de cacau.

No ano agrícola de 1996/97, a CEPLAC de Rondônia lançou uma campanha de recuperação de cacauais que estivessem com alta incidência de vassoura-de-bruxa, somada a um programa de novos plantios de cacauais, especialmente voltado para os municípios que já plantavam o cacau e que constituíam os chamados "polos espontâneos".

A utilização do manejo integrado possibilitou, no período de três anos, a recuperação de lavouras altamente atacadas (com produtividade de 300 quilos/hectare e perdas em torno de 80% da produção). A redução das perdas atingiu o nível de 10 a 20% e a produtividade elevou-se para 1.000 a 1.200 quilos/hectare. Foram contratados, no período 1997-2000, 678 projetos com uma área a ser recuperada de 6.125 hectares, num valor global de R$9.409.635,00; o agente financeiro foi o Banco da Amazônia.

A adesão aos novos plantios é vigorosa; foram celebrados 1.876 contratos, que contemplaram 6.390 hectares de novos cacauais, com um montante de R$15.856.350,00. A recuperação de áreas decadentes e a formação de novos cacauais, resultaram na injeção de 25,2 milhões de reais na economia de Rondônia, além de colocar uns 12.500 hectares de lavouras de cacau num nível de tecnologia melhorada, de áreas mais produtivas e rendosas.

É importante frisar que a recuperação de preços de cacau, segundo a ICCO- Organização Internacional do Cacau, nos anos de 1996 (média de US$1.349/tonelada), 1997 (média de US$1.543/tonelada) e em 1998 (média de US$1.602/tonelada), foram decisivos na decisão dos produtores para recuperar seus cacauais.

Os preços, apesar de todas as desvantagens são remuneradores; dizia um produtor de Mirante da Serra: "Com um saco de cacau, eu compro nove sacas de arroz em casca. Se vendo o cacau ou o café, a firma vem buscar aqui no lote. Arroz eu tenho de levar até lá (Ouro Preto do Oeste) e o dono do caminhão pode ficar com quase a metade dos sacos".

No decurso de 30 anos de execução de pesquisa em Rondônia, a CEPLAC gerou, adaptou e transferiu tecnologias, especialmente nas áreas de genética, fitossanidade, técnicas pós-colheita e desenvolvimento de agroflorestas. Os sistemas agroflorestais buscam a identificação de alternativas para a diversificação da cacauicultura da região e o aumento da rentabilidade das áreas, especialmente para os pequenos produtores. São os consórcios cacau + pupunha, cacau + essencias florestais, e outras combinações que estão tornando a produção de cacau mais sustentáveis.

Ao lado da extensão rural e da pesquisa não se pode deixar de referir a EMARC - Escola Média de Agropecuária Regional, da CEPLAC, localizada em Ariquemes, que tem o objetivo de formar e aperfeiçoar mão-de-obra das regiões de trabalho das fazendas de cacau, além de formar técnicos em agropecuária e tecnologia de alimentos. Anualmente ela conta com 160 alunos cursando Técnico de Agropecuária e 60 outros cursando Tecnologia de Alimentos, uma atividade recente.

A construção de seis modernos Escritórios Locais, o reaparelhamento dos campos experimentais, a retomada do trabalho em parceria com a CEPLAC/Belém e CEPLAC/Bahia, estão revitalizando a atuação da CEPLAC, em Rondônia, e determinando não somente o alcance da meta original dos 100 mil hectares de cacauais, mas o redesenho da nova geografia do cacau, com metas mais ambiciosas.

IV. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES           A proposta da "Nova Geografia da Cacauicultura Brasileira" atende a objetividade e imparcialidade dos autores, os dois comprometidos, por muitos anos com os trabalhos da CEPLAC-Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, tanto em terras do Sul da Bahia como em terras da Amazônia.

Propõe-se, assim, a reestruturação da economia cacacueira sul-baiana buscando concentrar a atividade produtora de cacau nos melhores solos da região, dotada da melhor infra-estrutura de serviços, utilizando clones promissores, com a aplicação dos recursos mais modernos da agricultura, tal como a utilização de bio-fungicidas. e tantos outros. A recuperação de cacauais seria feita em uma meta sugerida de 300 mil hectares, com plantações em sistemas agroflorestais, como produção complementar à atividade do cacau.

Ao lado da recuperação dos cacauais se implantaria um programa de diversificação das áreas disponíveis, não utilizadas com o cacau, com atividades, a exemplo da dendeicultura, além da fruticultura, do plantio de café robusta e do estabelecimento de florestas nos tabuleiros costeiros, pari passu a um programa de implantação de cultivos nos próprios imóveis rurais cacaueiros, cobrindo os espaços vazios deixados pela redução do polígono cacaueiro.

Neste contexto, o produtor do sul da Bahia, terá que caminhar para ser um profissional da agricultura, possuir gestão empresarial profissionalizada, adotando modernas tecnologias de cultivo e novas relações de trabalho em suas fazendas, não havendo lugar mais para o "produtor ausentista".

Na Amazônia, tanto no Pará como em Rondônia, encontra-se a grande oportunidade do Brasil vir a recuperar a posição de grande produtor e exportador de cacau, antes um atributo da Bahia.

Com uma imensidão de terras mais baratas, providas de um potencial de solos férteis, profundos e produtivos, com um clima característico, com período seco bem determinado, que viabiliza a convivência com a "vassoura-de-bruxa", de forma mais econômica e, tendo como produtores, antigos "sem-terra", que operam suas propriedades com a força de trabalho do conjunto familiar, a Amazônia poderia vir a redesenhar a nova cacauicultura brasileira, com a ampliação das áreas de plantio, bem acima dos 150 mil hectares propostos pelo Procacau, estabelecendo-se uma meta de plantio em torno de 250.000 hectares para os próximos dez anos.

Acrescente-se, ademais, que o plantio de novos cacauais na Amazônia, teria a finalidade de fazer, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, a recomposição de áreas alteradas, ou mesmo degradadas, por via de uma cacauicultura de cunho agroflorestal, mais produtiva e mais sustentável.

E, para viabilizar essa retomada da cacauicultura brasileira, é fundamental que um novo PROCACAU seja formatado, definindo as metas e os meios operacionais, a exemplo do que fora o programa implantado em 1976, incluindo-se, desta feita, a revitalização da CEPLAC, pela sua importância na gestão de tão importante empreendimento agrícola nacional.

 

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